Entenda o que é capacitismo!

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23 de novembro de 2012 por Adriana Twitter: @dias_adriana

Defino o capacitismo como a concepção presente no social que tende a pensar as pessoas com deficiência como não iguais, menos humanas, menos aptas ou não capazes para gerir a próprias vidas, sem autonomia, dependentes, desamparadas,  assexuadas, condenadas a uma vida eternamente economicamente dependentes, não aceitáveis em suas imagens sociais, menos humanas.

São algumas características: há sempre uma boa dose de paternalismo, que tolera que os elementos dominantes de uma sociedade expressem  profundo e sincera simpatia pelos  membros com deficiência, enquanto, ao mesmo tempo, sustente-os numa acondicionamento de subordinação social e econômica.

Os dominantes serão os protetores, guias, líderes, modelos, e intermediários para pessoas com deficiência.  Estes últimos, os desamparados, dependentes, assexuadas, economicamente improdutivos, fisicamente limitados, imaturos emocionalmente, e aceitáveis apenas quando eles são discretos (Hahn, 1986, p.130).

Segundo  Fiona Kumari Campbell o capacitismo, que está para o segmento da pessoa com deficiência o que o racismo significa para os afro-descedentes ou o machismo para as mulheres,  pode ser associado com a produção de poder, e se relaciona com a temática do corpo e por uma ideia padrão corporal perfeita. É um neologismo que sugere um afastamento da capacidade, da aptidão, pela deficiência. A tradução para o português, segundo  Anahi Guedes Mello, deve seguir o espanhol e o português de Portugal orientar-se para o capacitismo.

O Trabalho de Jones (1972, 172) adicionou uma informação importante, a respeito do racismo argumentando que as relações baseadas na raça são estruturadas: «Com o apoio intencional ou não intencional de toda a cultura”. Isto é fundamental para os estudos do capacitismo, pois, como Richard Delgado (2000) denunciou  a situação dos membros de minorias raciais é semelhante ao que vivem as pessoas com deficiência. O mesmo foi discutido por Adriana Dias em Raça e Deficiência:  quando o feminino é marcado por discriminações múltiplas, o racismo se soma ao capacitismo para gerar isolamentos vários, estigmas sobrepostos.

“O sofrimento,  agravado por uma consciência de incurabilidade tende a deixar o indivíduo ainda mais consciente de sua solidão”. (Cox 1948, apud  Delgado 2000, 132) Neste sentido, o capacitismo é profundamente  subliminar e embutido dentro da produção simbólica social.

Faz parte de uma ‘grande narrativa’, uma concepção universalizada e sistematizada de opressão sobre o conceito da deficiência. Campbell (2001, 44) sustentou que capacitismo (ableism), é: “uma rede de crenças, processos e práticas que produza um tipo particular de compreensão de si e do corpo (o padrão corporal), que se projeta como o perfeito, o que seria o típico da espécie e, portanto, essencial e totalmente humano. Deficiência é, assim  disseminada  como um estado diminuído do ser humano. Essa crença deve ser combatida.

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